Resfriamento Evaporativo de Ar
Material cedido pela Basenge (Revista do FRIO)
1-O QUE É: 2-HISTÓRIA: Na verdade, o homem já utiliza o
resfriamento evaporativo há muito tempo. Afrescos do antigo Egito (2500 AC) mostram
escravos abanando jarros (de paredes porosas) com água, para resfriar o conteúdo. 3- EXEMPLOS PRÓXIMOS: Embora nem sempre nos demos
conta, com alguma freqüência sentimos os efeitos do resfriamento evaporativo: -Quando nos aproximamos de uma
cachoeira e notamos o ar mais fresco; -Quando saímos de uma piscina
(deixamos a água, que está mais fria e entramos em contato com o ar, que está mais
quente) e temos aquela sensação de frio; -Quando terminamos de lavar as
mãos e as abanamos, sentindo-as esfriarem; -Quando, num dia quente, acontece
uma Chuva de Verão e observamos a quase instantânea queda da temperatura; -A Temperatura de Bulbo Úmido
(TBU) que é lida num termômetro com o bulbo envolvido por uma gaze úmida, é a
temperatura mais baixa que o ar ambiente pode assumir no local, e corresponde à
condição de ar saturado obtida pela evaporação da água na região junto ao bulbo. Muitos
outros exemplos podem ser citados, mas acreditamos que o nosso leitor já tenha
compreendido a idéia do RESFRIAMENTO EVAPORATIVO. É simples, mas não custa enfatizar
que é com ele que a Terra controla a temperatura sobre sua superfície. 4-O PRINCÍPIO: O ar
atmosférico é uma mistura de ar seco e vapor de água. Para uma dada condição de
temperatura e pressão esta mistura tem capacidade de conter uma quantidade máxima de
vapor dágua (ar saturado = 100% de umidade relativa ou 100% UR). Na prática esta
condição de ar saturado só é observada durante e logo após uma chuva. Normalmente o
ar encontra-se insaturado (UR<100%) e, portanto, apto a absorver mais umidade. 5-PROCESSOS UTILIZADOS: Uma
maneira de expandir a água é através de chuveiros, sprays ou atomização.
São métodos bastante eficientes, que atingem elevados índices de umidificação e
abaixamento de temperatura. Recomenda-se, no entanto, que este tipo de umidificação seja
efetuado dentro do resfriador. Quando lançada no ambiente, mesmo que micro-pulverizada, a
água pode encontrar uma região já saturada, o que fará com que não seja absorvida
pelo ar e se precipite, molhando o que estiver em seu caminho até o solo. Mesmo sistemas
com umidostatos e válvulas solenóides, que cortam o fluxo de água quando determinada
umidade relativa é atingida, tendem a gotejar nos bicos até a estabilização da
pressão de água no sistema. As principais vantagens deste método são: -A parte molhada do sistema fica restrita
ao equipamento; -Nunca se ultrapassa o ponto de
saturação, pois o ar só absorve a umidade que pode comportar, deixando no equipamento a
água excedente; -Este processo realiza ainda uma
lavagem do ar, retendo poeira e sujeiras na colmeia ou na manta, as quais são
continuamente lavadas pela água excedente. Os
resultados globais atingidos por qualquer dos sistemas acima descritos dependem ainda do
fluxo do ar. É necessária a adequação de vazão e velocidade para que se obtenham as
melhores condições ambientais. Estas
considerações são normalmente levadas em conta pelos fabricantes dos equipamentos. 6-ENERGIA
ENVOLVIDA: Quando 1
litro de água (1kg) se evapora, consome aproximadamente 580 kcal. É a mesma quantidade
de energia necessária para resfriar 60 litros de água de 30°C até 20°C. Ou para
resfriar 208m³ de ar (242kg) dos mesmos 30°C até 20°C. 7-REDUÇÃO DE TEMPERATURA:
A- A temperatura do ar resfriado será ± 1°C
acima da temperatura de bulbo úmido(TBU) do ar captado. B- A temperatura do ar resfriado será ± 2°C
abaixo da temperatura de saída da água de uma torre de resfriamento eventualmente
existente no local (desde que esta esteja operando corretamente). Um fato muito importante a ser observado é que a umidade
relativa varia ao longo de um dia normal. Tendo em vista que a umidade absoluta (gramas de
vapor de água/kg ar seco) não se altera muito ao longo do dia, a menos que ocorram
chuvas ou se esteja próximo a regiões cobertas por água (mar, rios, represas, etc.), a
umidade relativa vai variar inversamente com a temperatura. Assim, quanto mais quente o
período do dia, menor a umidade relativa e melhor o desempenho do resfriamento
evaporativo. As curvas "PERFORMANCE
PADRÃO EM DIA TÍPICO DE VERÂO" em anexo mostram as temperatura resultantes
do sistema evaporativo em um dia típico de verão em função do ar captado, para
diferentes condições climáticas. 8- CONDIÇÕES
PARA INSTALAÇÕES: 8.1- RENOVAÇÃO DE AR: Logo após passar por um sistema de resfriamento evaporativo, a
ar tem sua umidade relativa elevada para níveis próximos à saturação. Ao adentrar o
ambiente este ar se aquece, abatendo as cargas térmicas existentes no local e reduzindo a
UR sem, no entanto, voltar aos níveis originais (antes do resfriamento). Caso
recirculemos este ar pelo resfriador, a eficiência será menor a cada nova passagem,
tendendo a ser nula após poucas recirculações. Teríamos então uma situação de
temperatura e umidade elevadas, o que é muito desconfortável. Assim sendo, a condição fundamental é de renovação total do
ar. 8.2- EXAUSTÃO E ABERTURAS: Como num processo de ventilação comum, a renovação total do
ar implica em exaustão ou aberturas compatíveis com a vazão de ar admitida. Assim
sendo, portas, janelas, frestas ou exaustores são, via de regra, bem-vindos. Há apenas a
necessidade de se verificar a disposição das mesmas para se otimizar a circulação do
ar por todo o ambiente. 8.3- ISOLAMENTO TÉRMICO: Este é um item que, se existente, sempre auxilia. Para
instalações novas, entretanto, é dispensável, ao contrário de sistemas de
climatização por ar condicionado tradicional. Ocorre que os custos de instalação e de
operação dos sistemas evaporativos são tão mais baixos do que os do ar condicionado,
que resulta bem mais barato aumentar a capacidade do sistema evaporativo projetado, do que
isolar telhados e paredes. 8.4- QUALIDADE DA ÁGUA: Como regra geral, é
recomendável a utilização de água potável na alimentação dos resfriadores
evaporativos. Água com altos teores de
minerais, principalmente cálcio (água dura), deve ser evitada pois a
concentração dos sólidos solúveis tende a aumentar com a evaporação (só água pura
evapora) e, a partir de certo ponto, haverá supersaturação e precipitação dos
minerais. Isto pode ser notado pela formação de depósitos na superfície da colmeia ou
manta. Caso seja necessário utilizar
este tipo de água, é necessário manter uma purga contínua (bleed-off) de modo a evitar
o crescimento da incrustação. Água com carência de minerais,
por outro lado, tende a compensar esta carência captando minerais das colmeias,
enfraquecendo a resina enrijecedora. Com relação ao PH, o ideal
situa-se em 7 a 8, sendo aceitáveis valores entre 6 e 9. 8.5- TRATAMENTO DA ÁGUA: Tendo em
vista que o
ar é lavado
ao passar pelo BEC, as partículas dele removidas
tendem a se agregar no elemento umidificador e
deste serem carregadas pela água para o reservatório. Entre estas partículas estão
fungos, bactérias, algas, etc., as quais, em meio úmido, podem proliferar. Para evitar que isto ocorra,
algumas providências devem ser tomadas, a saber: A- Cloração
da água no reservatório com pedras de cloro; 9-APLICAÇÕES: Considerando-se que o ar disponibilizado é: -
100% renovado, -
Resfriado, -
Umidificado, -
Filtrado e limpo (para equipamentos com mantas ou colmeias), -
De baixo custo de instalação, -
De baixo custo operacional, Temos que o sistema evaporativo tem aplicação em quase
todo tipo de ambiente, com uma gama de utilizações muito mais abrangente do que o ar
condicionado e a ventilação tradicionais. Há ainda aqueles ambientes em que a manutenção de elevada
umidade relativa é requisito das condições do processo industrial. Em tais ambientes,
dependendo da umidade desejada, pode ser utilizada renovação de ar total, parcial ou
mesmo nula. Como exemplo, citamos abaixo algumas das inúmeras aplicações
possíveis:
10-SELECIONAMENTO: Existem 2 métodos básicos para dimensionamento do
sistema de resfriamento evaporativo, a saber: O Método por Cálculo de Carga Térmica, que é mais
preciso, porém envolve levantamento mais correto das condições do ambiente, tais como
potências consumidas, transmissão de calor por condução e radiação, número de
pessoas, iluminação, calor dissipado por máquinas, etc. 1-Calcular a carga térmica total do ambiente a
ser atendido; Nesta tabela
entrar com a temperatura externa (temperatura do bulbo seco) e com a umidade relativa; 1-Determinar a temperatura de bulbo úmido do local de instalação; VAR
= W x L x H VAMB
= Volume do ambiente (m³) W = Largura
do ambiente(m) L =
Comprimento do ambiente (m) H = Altura
abaixo do duto de insuflamento de ar (m) Obs.:
Os dutos devem ser instalados no máximo a m de altura, de preferência a 3,5m. 5-Calcular a
vazão de ar requerida para o ambiente. VAR
= VAMB . NTROCAS VAR
= Vazão de ar (m³/h) VAMB
= Volume do ambiente (m³) NTROCAS = Número de trocas de ar
(trocas/h) Os
dois métodos acima permitem um bom estudo do sistema a ser implantado. Não dispensam no
entanto, a consulta a fornecedores qualificados que analisem, orientem, esclareçam e
assumam a responsabilidade não só mecânica dos equipamentos, mas também pela
performance da instalação. |
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